
Seria o reverso
De teu verso
Pois que
Não sei por quê
As palavras se fecharam em tua boca.
As tuas palavras
O teu verso esquecido
No meu caminho em branco.
Por Claude Bloc
C'est moi...






Casa da Serra Verde - Pintura a óleo de Claude Bloc
...... Eis-me em silêncio, numa dessas fraturas de um tempo de aceitação. Aceito essa saudade que me chega em meio aos sargaços da idade...Essa saudade que é fruto da minha lembrança, e que vai aos poucos embaraçando-se em tantas e tantas fugas, cicatrizes, contrapontos... Saudade que me enlaça nesse imenso azul me abordando sutilmente, abrindo as comportas dos sentimentos e o tropel silencioso das horas insólitas...
...... A saudade não me causa fadiga: ela me acerta e me completa. Com o refluir do tempo, ela acaba sendo para mim a súmula de tudo para se tornar a essência do meu canto.
...... A saudade não subjaz ao simples acaso de um verso. Ela faz pulsar a arte nos desconcertos da poesia...
...... A saudade, a minha saudade, inscreve-se no silêncio, como uma órbita revelada em metáforas. Rompe a crosta que a separa do encantamento e vai concentrar-se nos vazios da alma...
Por Claude Bloc
Todo os meus poemas começam de manhã, com o sol.

Chove! ... e os deuses da chuva , do céu estão distantes. Na Terra, confrontam-se os heróis nessa alegoria profética do tempo. A figura do inverno desfila personificada nas enchentes, nos aluviões, materializada na avidez das águas, nas obsessões da estação...
........ A chuva de hoje proporcionou-me um curioso diálogo com o tempo. Lembrei-me da Rua Irineu Pinheiro nos muitos invernos que atravessei no Crato. Manhãs caudalosas. A rua inundada de uma ponta a outra, até as calçadas, causando transtorno aos incautos estudantes matutinos. Nem as famigeradas galochas eram suficientes para conter a “fúria” das águas que desciam levando as pedras rua abaixo. Nem os sapatos “colegiais” impediam a alegria dos meninos que saiam em revoada de suas casas para a escola. Risos, risadas, gente encharcada, lama, choro... e muitas vezes o retorno de um ou outro, vítima da “guerra fria” da água barrenta...
...... Cabelos ao vento saltam na testa em cascata. Sorriso esboçado, mas eloqüente. Traços finos de lábios cor de jaspe. A pintura é natural como na tela ou no espelho... A tarde nublada dissimula a idade, esconde os vestígios da transição do tempo... O reflexo no espelho é (in)finito. Mostra tudo e mais nada dessa visão insubordinada do que de fato sou. Há sempre mais de mim. Ou menos, não sei bem.
....Volta do trabalho cansada. Depois de refrescar-se, senta-se vagarosamente na cadeira da varanda tentando compor uma imagem com aqueles pontos-de-cruz. Não repara na hora, apenas deixa-se ficar ali por um bom tempo.
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