terça-feira, 21 de julho de 2009

Stardust - Willie Nelson

Retrato - Por Claude Bloc


Está em mim seu retrato
circunscrito
na retina – câmera da minha objetiva.
Capto seu gesto
A forma e o momento
que se insere para sempre
em meu álbum de imagens.

Está em mim o registro,
A lembrança
que folheio com a alma
em todas as tardes,
nas manhãs de julho,
nas noites febris.

Está em mim
O espaço em branco
Onde vivo o texto.
Buscando a hora noturna.
Urgentemente.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Something - Paul Mc Cartney, Ringo Star, Eric Clapton

Something
The Beatles
Composição: George Harrison

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how



video

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Decibéis

Decibéis
Tons acima do som
Sons acima do tom
Na cor
Que a noite reveste
Cinza-poema das horas
Em ondas sonoras
Texto de Claude Bloc

Noite festiva - Colheita de sonhos- Por: Socorro Moreira - Fotos by Claude Bloc

Painel by Claude Bloc

( A maestrina Bernadete Cabral , Rosineide Esmeraldo , Stela Siebra, Maria Luiza e Nilo Sérgio)

Como extensão dos ensaios , e aproveitando o entusiasmo do reencontro , O Madrigal Intercolegial reuniu-se na casa de Zélia Moreira para comemorar o aniversário de Carlindo Costa.

(Carlindo Costa, Roberta Arraes, Zélia Moreira e Nacélio Oliveira)

Debaixo do teto, e aos pés do coração da anfitriã , o grupo entoou risos e risos !
A gente sabia que o tempo era passado , e que o presente era vivo !
(Luiz Felisberto , Nilo Sérgio e Hugo Linard)

E era o gosto de reviver , e era o juízo de poder fazê-lo .

- De Chico Buarque a Jackson do Pandeiro , entremeados de valsas e canções, aprendidas na estação da década mais feliz das nossas vidas.
(Francisco Peixoto , Liduina Vilar, Claude Bloc)
Peixoto era rítmo e coração , como um dos ases da nossa emoção.
Não eram pares, nem trios, nem solos. Era a companhia !
( Joaquim Pinheiro , Stela Siebra, Hugo Linard e Socorro Moreira)

Da infância ao limite de um tempo feliz : Hoje, sempre !

A expressão do que ainda é :
a confiança no entendimento
o novo em todos , no intacto antigo.

Dona Bernadete - resistência entusiástica na festa e na reza.

Hugo , "o peralta Zezinho", de Mons. Montenegro - contando as suas diabruras e, reafirmando no acordeon , a sua genialidade artística.

( Divani Cabral , Hugo, Peixoto e Anderson Xenofonte)

Nos anos 60, Arte e Educação já eram casadas no ensino cratense.
Divani , a sacerdotisa que celebrava as bodas :

Jograis, corais, espetáculos teatrais . Música, Dança , Cinema , como a "Fantasia" de Walt Disney.
Uma noite por ano , num país diferente ( Japão, Espanha, Portugal).
Transposição de todas as artes para as nossas vidas.

Aliança subliminar intercolegial.

Geração dourada , hoje florida !

- Aquarius !!!

Fotos : by Claude Bloc

Texto : Socorro Moreira

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Quando o passado deve ser lembrado - Por Claude Bloc

Há certos resgates de nosso tempo que nos obrigamos a fazer ou acabam por se perder na obscuridade do esquecimento. Louvável, pois, a iniciativa desse grupo de pessoas que viveu sua adolescência na década de 60 e que teve a idéia de promover um rico registro de fatos pitorescos ocorridos no exato espaço da Praça Siqueira Campos (Crato – CE).

Na verdade, fez-se uma coletânea de depoimentos, a partir de um grupo de amigas e amigos que passou pela experiência de ter sua vida surpreendida pelo amor (ou pela descoberta dele), no momento em que transitava pela praça Siqueira Campos, nos idos dessa decantada época. Amores que se mantiveram (ou não) até os dias hodiernos. Sentimentos acalentados, inacabados, eternos.

Interessante, pois, tanto quanto louvável, a construção dessa tessitura de ensejos rebordados de tantos sorrisos e alegrias.

Foi, portanto, memorável estar presente nesses eventos comemorativos e poder tomar parte dos festejos no lançamento do livro “ Anos Dourados – Praça Siqueira Campos” – retreta, coquetel, alegria – e ouvir na voz de Vicelmo e de Eleonora Albuquerque, dentre outros, o concerto efusivo dos tantos corações reunidos numa belíssima festa, vibrando com tantas boas lembranças de um passado tão bem preservado.

Na foto acima: Diana e Eleonora Albuquerque ladeando Claude Bloc

Registro aqui, igualmente, nos festejos no Crato Tênis Clube, a presença de Dr. Humberto Macário de Brito, amigo pessoal, muito querido de meu pai Hubert Bloc Boris, que emocionou-se com tantas manifestações de carinho, sobretudo ao descobrir-me ali, mencionando meu pai e pondo de volta em seu peito o amor fraterno e a amizade imensa e inabalável mantida entre ambos por tanto tempo.

Na foto acima: Dr. Humberto Macário de Brito e Claude Bloc

Por mais que muita gente considere a saudade como marca de retrocesso, ou a relembrança como ato supérfluo e descartável, pergunto: como explicar essa sensação deliciosa que nos toma quando tanta coisa boa nos retorna nos reabastecendo de felicidade?
.

Postado por Claude Bloc

terça-feira, 14 de julho de 2009

Você - Por Claude Bloc


Não conseguia dormir. A noite parecia alongada pela hiperatividade da alma e pela sede de viver os segundos como quem respira o último desejo, a última instância das horas. O que me restava eram, então, eternidades que se abriam para mim, e, em suas asas, eu viajaria sem medo, já que não havia tempo para recusar nada nem me arrepender.
De repente, viver tornou-se simples e urgente! Te segui em minhas lembranças e o fiz de corpo inteiro, como nunca houvera acontecido antes. Somente agora, podia sentir a vida pulsar, o pulso marcando o instante em vibrações por segundo, mar vermelho abrindo caminhos para o infinito do espírito. Tinha certeza que os deuses me entenderiam.
Lembrei-me de ti. Tinha ainda guardada num baú uma rosa seca, marcando uma página de uma tarde clandestina, roubada do tédio cotidiano, tarde de versos sussurrados e bocas sedentas...
Num impulso disquei teu número, pois o que é eterno sobrevive às novas tecnologias. Aguardei os segundos decisivos.
No meu quarto, os violinos de Wagner suavizavam a ânsia da espera, como que anunciando o encontro. Meia hora depois, a campainha tocou, e eu perfumada de saudades acumuladas por verões hibernados, abri a porta.
Agora, a música anunciava a dança, começando pelos olhos , pelo abraço, mãos e respiração. Noturnos seres que se encontravam em uma tarde silente.
Primeiro nos comunicamos pela respiração , foram uns cinco segundos assim, um silêncio ofegante, e, para minha surpresa , pronunciaste meu nome como antes, no mesmo momento em que o violino vibrava em sustenidos sóis, o agudo instante do reencontro! Minha voz era um fio, tua voz estava impregnada em meus sentidos.
Te convidei para um café no meio da tarde. Queria te ver há tanto tempo!
Mesa posta, xícaras dispostas sobre a mesa, cheiro de café no ar. Olhares. O tempo parecia não ter passado, éramos os mesmos, o mesmo cheiro, o mesmo sorriso, o mesmo desejo de felicidade. A vida se refez, exatamente quando resolvi seguir os conselhos de minh’alma. Percebi-a mais leve, descomplicada, sem a angústia que todo 'futuro' contém.
Senti-me livre! Minha alma gótica se acalmou. Saí da caverna à qual estava acorrentada, vi a luz que irradiava lá fora, e que as sombras, que em mim habitavam, me impediam de senti-la. Nem imaginava que, ao mínimo contato com essa energia cósmica, a minha própria luz seria revelada, através de ti, como o próprio sol!
O restante do dia, então, se dissolveu. Descobri o eterno hoje.


Postado por Claude Bloc

O amor antigo - Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond

Postado por Claude Bloc

sábado, 11 de julho de 2009

Amar - Carlos Drummond de Andrade


Há coisas que nos passam e que nos voltam...
Lembranças que nos ficam para sempre...
Sentimento, vendaval travesso
Que nos revira e nos remexe...

AMAR

.................... Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.